AÇÕES DE GRUPOS DE EXTREMA DIREITA DURANTE ABERTURA

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A partir de 1976, durante o período de “abertura”, registrou-se uma atividade terrorista de direita. Uma sequência de atentados à bomba contra pessoas, órgãos da imprensa, livrarias, universidades e instituições identificadas com a oposição, marcaram a escalada de violência de direita.

Em 1978, uma sequência de atentados à bomba contra pessoas, órgãos da imprensa, livrarias, universidades e instituições identificadas com a oposição, marcaram a escalada de violência de direita que duraria até meados de 1981. Minas Gerais e Paraná concentraram os atentados de 1978. Entre abril e outubro daquele ano, foram 26 atentados e, entre julho de 1979 e abril de 1980, 25 atentados, conforme o jornal Em Tempo. O ano de 1980 concentrou o maior número de casos, começando pela bomba colocada no quarto de Leonel Brizola, recém-chegado do exílio, no Hotel Everest no Rio de Janeiro.

Normalmente, eram atentados mais para criar pânico e para enviar recados aos movimentos sociais e ao próprio governo, mas muitas vezes fizeram vítimas, algumas fatais ou seriamente feridas. Foi o caso das bombas enviadas à sede carioca da OAB e à Câmara Municipal do Rio de Janeiro. A secretária Lyda Monteiro veio a falecer e o servente José Ribamar, atingido no atentado à Câmara, ficou cego e mutilado. Apesar da comoção pública, o governo Figueiredo pouco fez.

As bancas de jornal que vendiam veículos alternativos de esquerda também foram alvos da direita. Entre abril e setembro de 1980, dezenas de bancas em várias cidades brasileiras foram incendiadas durante a noite, provocando uma crise de distribuição dos jornais alternativos.

Os atentados à bomba continuaram em 1981, mas um acidente de trabalho expôs, involuntariamente, a base dos extremistas de direita. Na noite de 30 de abril de 1981, acontecia um show de MPB pelo 1º de maio. Enquanto milhares de jovens ouviam os artistas-símbolo da oposição cultural ao regime, no estacionamento, dois homens preparavam um atentado à bomba. Conforme o plano, uma bomba deveria explodir na caixa de energia, cortando a luz do interior do pavilhão e a outra no estacionamento. Essas bombas deveriam causar pânico generalizado, pois no interior do pavilhão estavam 20 mil pessoas.

Depois de a primeira bomba explodir na caixa, mas sem conseguir cortar a luz interna, a segunda bomba explodiu dentro do carro, quando era preparada pelos dois extremistas. A polícia foi chamada, mas não houve tempo de encobrir o caso, pois a imprensa chegou antes. Para surpresa geral, os dois homens atingidos no carro eram agentes do DOI-Codi do Rio de Janeiro. O Exército teve que reconhecer a identidade dos dois agentes, mas o Inquérito Policial Militar chegou à conclusão de que a esquerda havia colocado as bombas para matar os militares que estavam lá apenas para cumprir “missões rotineiras” de vigilância.

com o site Memórias da Ditadura

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