Embaixadas do Brasil à serviço da ditadura civil-militar

O documento em anexo foi produzido em 20 de dezembro de 1974, pela Divisão de Segurança e Informações do Ministério de Relações Exteriores. Nele são relatadas as atividades em Portugal de exilados ilustres como o caso do professor Paulo Freire, Plínio de Arruda Sampaio, Darci Ribeiro, Miguel Arraes, José Carlos Martinez Correa e outros.

Esse tipo de monitoramento foi usual durante a ditadura civil-militar, quando muitos brasileiros deixaram o país e seguiram para o exterior.

Os movimentos dos exilados eram monitorados pelos agentes da Divisão de Segurança e Informações do Ministério das Relações Exteriores (DSI/MRE). Esses agentes das ditaduras lotados nas embaixadas seguiam os exilados, controlando seus passos e informando os cônsules e embaixadores. Muitas vezes os próprios embaixadores e cônsules eram os agentes da ditadura no exterior.

É o caso do embaixador Antônio Cândido Câmara Canto, que chefiou a representação do Brasil no Chile entre 1968 e 1975. O outro é o diplomata de carreira Jacques Claude François Michel Fernandes Vieira Guilbaud, assumido “araponga” do serviço de informações.

Para escapar das prisões, das torturas e dos assassinatos cometidos pela repressão, muitos opositores do novo regime instalado em 1964 saíram para o exílio.

Assim que os militares tomaram o poder, em 1964, muitos brasileiros saíram do país. Nessa primeira fase do exílio, os lugares mais procurados foram o Uruguai e o Chile. Próximo à fronteira com o Brasil, o exílio uruguaio expressou o verdadeiro sentimento dos que haviam deixado o país: a expectativa de que a volta seria breve.

Conforme a ditadura militar ia se consolidando, ficava claro que os militares tinham vindo para ficar. Para os exilados, a volta ao Brasil tornou-se uma idéia cada vez mais distante. Foi nesse momento que a luta armada contra a ditadura se intensificou. A repressão, por sua vez, também se consolidou.

O Chile passou a ser o destino principal dos brasileiros. A experiência socialista do governo da Unidade Popular atraiu muitos militantes de esquerda. Entretanto, a partir de 1973, com o golpe de estado no Chile, que derrubou o presidente Salvador Allende, tornou-se inviável a permanência dos brasileiros ali. Aliás, a América Latina havia tornou-se inviável.  Sobretudo porque as ditaduras latino-americanas tinham se unido para perseguir seus inimigos comuns – na chamada Operação Condor.

Começou, assim, a busca por novos endereços. O principal destino dos exilados brasileiros foi a França. Paris tornou-se uma espécie de capital do exílio. Alguns brasileiros também se fixaram em outros países da Europa (como Suécia, Inglaterra e Portugal), do Bloco Socialista (União Soviética, em particular) e da América Latina (especialmente Cuba).
Do exterior, muitos ainda tentaram lutar contra a ditadura. Alguns poucos chegaram a voltar ao país, sendo que, desses, a maioria acabou morta ou presa pelo regime. Com o recrudescimento da repressão (que fez da tortura uma política de Estado), os brasileiros que estavam no exílio começaram a denunciar a violação dos direitos humanos cometida no Brasil, engrossando o movimento internacional contra a ditadura militar.

Ministério da Aeronáutica

Sub-Chefia de Coordenação

Seção de Informações

Assunto: Subversivos em Portugal, chegados após a revolução de 25 de abril de 1974

Origem: ADEAER PORTUGAL

Difusão: DSI/MRE – CISA SNI/AC

Difusão Anterior: EME

Data: 20DEZ1974

INFO 582/EMAER

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2 comentários

  1. estou na fita para tbm contribuir com o acervo tao logo tenha organizado
    os meus arquivos ( VOU ACOMPANHAR TEU MATERIAL PARA NAO COINCIDIR
    COM O MEU )

    • Obrigado Orlando,
      é isso aí vamos transformar esse sítio em um espaço de construção coletiva. Estamos no fim da linha e vamos deixar registrados nesse mundo virtual
      nossos acervos,juntados com o passar dos anos.
      um abraço
      Aluízio

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