UM POUCO DA HISTÓRIA DE JOÃO ROUCO, O SECUNDARISTA ATINGIDO NA GARGANTA POR TIRO DE PISTOLA

João Manoel Fernandes era secundarista do Colégio Estadual do Paraná quando começou sua luta contra a ditadura militar.
Começou em 1966, militando no Movimento Estudantil Livre – MEL e no ano seguinte já fazia parte da seção paranaense da dissidência do PCB. Em seguida passou para a Dissidência Comunista de Niterói, que deu origem ao Movimento Revolucionário Oito de Outubro – MR8.
Baixinho, valente e cheio de idéias. Esse era o João Manoel, que participou de diversas ações de expropriação de dinheiro e armas no Rio de Janeiro. Em 1968 ele veio pro Oeste do Paraná e durante oito meses participou dos treinamentos de guerrilha no Parque Nacional do Iguaçu.
Em julho de 1969, o apartamento em que ele morava com Maria Cândida Gouveia, foi arrombado por agentes da repressão.
O Edifício Ambassador, em Curitiba, foi ocupado por agentes do Cenimar – Centro de Informações da Marinha, que entraram no apartamento número 1305 dando uma saraivada de tiros. Um impacto violento atirou o corpo de João Manoel ao chão. Por alguns segundos ele esteve desacordado. Quando recobrou o sentido vislumbrou dezenas de policiais com as armas apontadas em sua direção. Com um gesto lento levou a mão até a boca e percebeu que estava sangrando, sangrando muito, e a camisa estava empapada de sangue. Tentou levantar-se, mas em vão. Os agentes o seguraram e o mantiveram imobilizado no chão. Restou o desabafo do palavrão, mas, apesar de todos os esforços, tudo que conseguiu pronunciar não passou de um grunhido frágil, ininteligível. A voz desapareceu. A bala de uma pistola havia lhe atravessado a garganta.

Em 1970 eu reencontrei João Manoel Fernandes no presídio da Ilha Grande. Em dezembro, estávamos os dois na solitária, quando eu me despedi dele para embarcar no “Voo da Liberdade”, que me levou para o Chile, juntamente com outros 69 presos políticos.
Já de volta ao Brasil, e à vida legal, eu fui visitar o João Manoel em Gravatal, Santa Catarina. Ele era o prefeito do Município e havia sido eleito com o nome de João Rocco, ou João Rouco, “o guerrilheiro”
Atualmente, Joãozinho mora em a Garopaba, com a companheira Célia, rodeado de filhos e netos.
O livro “João Rocco, O Último Guerrilheiro” pode ser encontrado no site Estante Virtual

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