A INFÂNCIA ROUBADA DOS FILHOS DOS PRESOS POLÍTICOS DA DITADURA MILITAR BRASILEIRA

 

O livro reúne 44 testemunhos de filhos de presos políticos, perseguidos, assassinados e desaparecidos durante a ditadura civil-militar (1964-1985) no Brasil. Há, também, depoimentos das mães das crianças atingidas, com impressões sobre como viram a violência a qual seus filhos foram vitimados.

Cada testemunho é acompanhado, ainda, de fotografias, de acervo familiar e arquivos públicos, com o objetivo de resgatar a memória das famílias e a contextualizar o momento histórico, época em que crianças eram fotografadas e fichadas pelos órgãos de repressão. Há casos de crianças que, além de fichadas como “subversivos” e “terroristas”, foram banidas do país. Como Ernesto Carlos Dias do Nascimento, com dois anos; Zuleide Aparecida do Nascimento, quatro; Luis Carlos Max do Nascimento, seis, e Samuel Ferreira, nove; que foram banidos do país em 15 de junho de 1970, junto com 40 militantes políticos acusados de terrorismo. O decreto com o banimento foi assinado pelo então presidente Emílio Médici e pelo ministro da Justiça Alfredo Buzaid.

A publicação da Comissão da Verdade, presidida pelo deputado estadual Adriano Diogo (PT-SP), é resultado de um ciclo de audiências públicas realizado em 2013, com o objetivo de jogar luz e dar visibilidade às violências cometidas contra crianças durante a ditadura. Ainda não se tem dimensão do enorme espectro de abusos aos quais foram submetidos. As histórias colhidas na série de audiências eram, até então, em sua maioria, inéditas.

São lembranças de tortura, humilhação, de dor, de desamparo, de exílio, vazio, solidão e medo. Há casos de sequestro, de adoção e de  ameaças de adoção, de banimento, de nascimento em cativeiro, de fetos torturados ainda no ventre de suas mães. Alguns tiveram que viver na clandestinidade, afastados dos pais, com nomes trocados.

Embora os 44 testemunhos deste livro representem apenas uma pequena amostra do universo de crianças atingidas pela violência, eles pretendem cumprir a missão de ampliar e dar a visibilidade ao extenso leque de afetados pelo terrorismo de Estado do regime de 1964 e dar mais um passo a caminho da memória, verdade e justiça.

(de Tatiana Merlino)

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