CERCO E ANIQUILAMENTO À LIBERDADE DE IMPRENSA – CASO DO COOJORNAL

Segue em anexo documento do Serviço Nacional de Informações – SNI , com data de 19 de abril de 1983, sobre o Coojornal.

Coojornal foi o nome de uma cooperativa de jornalistas de Porto Alegre, e também de um jornal que circulou nas bancas entre 1976 e 1982.

A cooperativa, fundada em 1974, foi uma resposta dos jornalistas gaúchos às limitações e constrangimentos criados pela censura aos órgãos de imprensa. O veículo surgiu como uma publicação regional, mas logo passou a privilegiar temáticas nacionais e caracterizou-se por reportagens que historiavam o golpe militar de 64, seus atores políticos, suas memórias e, inclusive, a reação armada da oposição.

No final dos anos 1970, uma matéria sobre a quantidade de cidadãos cassados durante a ditadura militar (4.682 até então) afastaria grande parte da publicidade. “Houve uma perseguição da Polícia Federal, que visitou todos os anunciantes. Em um mês, tínhamos 30 e no seguinte, dois”, relembra Vieira da Cunha. Para Guimaraens, esse foi o sinal vermelho, um indicativo de que o jornal teria uma atenção maior por parte dos militares.

Uma matéria, em 1980, que tratava de documentos secretos do Exército sobre a repressão a movimentos guerrilheiros ocorrida dez anos antes foi a gota d’água,. Rafael Guimarães, Elmar Bones, Rosvita Saueressig e Osmar Trindade acabaram processados pelo Exército e condenados à prisão.

As pressões do Exército sobre os anunciantes e à instauração de Inquérito Policial Militar.provocaram o fim do jornal e da cooperativa.

 

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