DOCUMENTO DA AERONÁUTICA SOBRE A LUTA PELA ANISTIA POLÍTICA NO EXTERIOR

Aanistiaext (1)

luta pela Anistia foi articuladora de uma construção política e discursiva diferenciada. Inseria-se a luta contra a ditadura dentro de um imaginário pacifista e com apelo internacional. Possibilitou, também, uma maior interação entre os exilados e as esquerdas, os setores progressistas, as entidades de direitos humanos dos países que os acolheram, pois era uma campanha a ser feita de maneira conjunta. Ao mesmo tempo possibilitava a união entre as mobilizações dos exilados e as articulações internas ao país.

A campanha no exterior foi dotada de uma grande capacidade de articulação e apresentou uma ampla variedade de formas de denúncia ao governo militar: publicaram livros com denúncias de violações de direitos humanos no Brasil, editaram de maneira regular boletins e informativos; realizaram conferências; bateram as portas da ONU; organizaram o Tribunal Bertrand Russel II. Todas estas ações demonstram que a bandeira da anistia conseguiu superar a fragmentação da esquerda brasileira. Este processo organizativo da luta no exílio teve como marco fundador a realização do Tribunal Bertrand Russel II9 , em 1974, organizado por iniciativa do senador italiano Lélio Basso com o objetivo de julgar as ditaduras militares latino-americanas pelas graves violações aos direitos do homem e às liberdades fundamentais. Este processo contou com o engajamento da intelectualidade européia e abriu um grande espaço para a denúncia das ações da ditadura junto a comunidade internacional. Vale destacar que neste momento a luta no Brasil foi tratada como “resistência a ditadura”, evita-se a discussão sobre a luta armada e a perspectiva de derrubada do Capitalismo, reforçou-se o processo de mudança da perspectiva da esquerda brasileira com o engajamento na temática dos Direitos Humanos10 e na criação, pelos exilados brasileiros, dos Comitês de Anistia. O mais ativo destes comitês, foi o Comitê pró Amnistia Geral no Brasil (CAB) organizado em Portugal. Os militantes portugueses e brasileiros lançam, em 1976, o com jornal Amnistia – com tiragem de 5 mil exemplares – contendo um grande número de informações acerca da repressão política no Brasil. O CAB manteve uma ampla publicação de panfletos e boletins informativos constituindo-se em um espaço de divulgação dos relatos de tortura privilegiado uma vez que no Brasil esta veiculação era impedida pela censura. Há que se notar a organização local obtida em Portugal com a consolidação de núcleos em Lisboa, Coimbra e no Funchal-Madeira11 . Entre os dias 13 e 19 de Abril de 1977, o núcleo de Lisboa realizou uma semana cultural e política para marcar os 13 anos de resistência a ditadura no Brasil, o evento atingiu grandes proporções, serviu como espaço de denúncia as violações de direitos 9 O primeiro tribunal Bertrand Russell foi organizado em humanos cometidas e de articulação da luta em favor da anistia no exterior. O CAB promoveu também a reunião de grupos de exilados residentes na França, Holanda, Guiné Bissau, Alemanha, Suécia, Dinamarca, Polônia e Angola, com o intuito de avaliar as ações já feitas, incentivar a formação de comitês, articular campanhas e materiais conjuntos e pensar em passos organizativos da luta. (Lucas Monteiro de Oliveira – O engajamento dos exilados na luta pela Anistia )

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