DOCUMENTO DO EXÉRCITO REVELA NOMES DE COLABORADORES DA DITADURA NO MEIO ARTÍSTICO

MINISTÉRIO DO EXÉRCITO

GABINETE DO MINISTRO

CIE/GB

ENCAMINHAMENTO 71/s-103.2.cie

FUNDO “DIVISÃO DE CENSURA DE DIVERSÕES PÚBLICAS”, ARQUIVO NACIONAL,
COORDENAÇÃO REGIONAL DO ARQUIVO NACIONAL NO DISTRITO FEDERAL, SÉRIE
“CORRESPONDÊNCIA OFICIAL”, SUBSÉRIE “INFORMAÇÕES SIGILOSAS”, CAIXA ÚNICA

Acervo Arquivo Nacional – COREG

www.gedm.ifcs.ufrj/upload/documentos

Vídelo de Roberto Carlos mostrando sua admiração pelo ditador Augusto Pinochet.

Fotos:  Roberto Carlos e o Delegado Paulo Bochristiano, mais conhecido como MR. DOPS e Roberto Carlos recebendo homenagem da ditadura

 https://www.youtube.com/watch?v=SpdjnkyOjXI

Durante a ditadura alguns artistas com o intuito de  estar bem com regime viraram colaboraram com o regime militar, passando informações sobre o que acontecia no meio e participando de atos realizados nos quarteis.

No documento em anexo produzido pelo Centro de Informações do Exército, classificado como  informe interno e confidencial o CIE reclama que alguns veículos considerados pelos milicos “imprensa marrom” (tipo O Pasquim) estariam fazendo campanhas contra alguns artistas amigos e colaboradores da ditadura.
O informe difundido para outros órgãos da repressão política sugere que esses artistas “amigos da ditadura” sejam blindados, protegidos.

No documento em anexo emitido pelo Centro de Informações do Exército são revelados alguns desses “colaboradores”, considerados pelos militares como amigos, aliados do regime. Segundo o documento  certos órgãos de imprensa estariam publicando matérias denegrindo a imagem de determinados artistas que se “uniram à revolução (sic) de 1964 no combate à subversão e outros que estiveram sempre dispostos a uma efetiva COLABORAÇÃO com o governo”. São citados Wilson Simonal, Roberto Carlos, Agnaldo Thimóteo, Wanderley Cardoso e Rosimary.

Clique nos links abaixo para ler os documentos, que também podem ser visualizados em imagens na extensão JPG

http://pt.scribd.com/doc/104622606 

http://pt.scribd.com/doc/104622608

 

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42 comentários

  1. Rodolfo disse:

    Afinal, o Simonal realmente estava envolvido com os militares…
    Vergonhoso!

  2. Diego Bachini Lima disse:

    Olha eu li os textos e eles não tem absolutamente nada a ver com o que foi escrito na matéria.
    O tema dos relatórios é sobre a imprensa marrom usando tanto de alguns que colaboram com o golpe de 64, quanto os ‘subversivos’, quanto os que tinham boa vontade de atender as imposições do governo, estavam sendo pichados.
    Veja Wilson Simonal apresentou documentos comprovando que nunca colaborou em nada com os militares.
    Roberto Carlos teve músicas censuradas antes dos lançamentos…

    O aqui do site apresenta um ‘resumo’ completamente tendencioso o que acho péssimo pois retira a credibilidade do mesmo.

    Nos relatórios não há especificação de quem é de esquerda ou de direita, e que ambos são alvos de revistas de fofoca (imprensa marrom).

    O motivo do texto do site ser tão tendencioso e que muito facilmente é posto abaixo após a leitura dos documentos apresentados.

    Lamentável.

    • Caro Diego,
      Ao ler com atenção e analisar o texto emitido por autoridade militar, você vai notar que o Centro de Informações do Exército procurou com o informe proteger seus aliados de possíveis matérias que viessem degradá-los. E citam os nomes desses “amigos” ao dizer que o alvo dessas matérias seriam “determinados artistas que se uniram à revolução (sic) de 1964 no combate à subversão e outros que estiveram sempre dispostos a uma efetiva COLABORAÇÃO com o governo”.

      • junia disse:

        Eu vou deixar de gostar destes sim pois tenho personalidade e notei sim que os documentos assim como outros que tambem tratam de forma discreta deixou claro o envolvimento e em homenagem aos artistas de verdade que nao venderam a alma, não considero tais como cidadaos dignos!Por pensamentos e acoes pacatas de “que que tem”QUE o Brasil ta na merda so pensam em si mesmas ·Parabens para os verdadeiros heròis.

        • Moacir disse:

          Tó contigo Junia, há muito tempo deixei de escutar e consumir qualquer produto, seja em discos, CD, shows, etc. principalmente do Roberto Carlos, que, ao meu ver, nunca fez nada pelo Brasil, enquanto outros correram riscos, protestaram, fizeram músicas criticando o regime, foram presos, perseguidos…

  3. André disse:

    Onde se localiza esse documento atualmente?

  4. André disse:

    Opa, deixa pra lá, vi agora 😛 (COREG – Brasília)

  5. Gabriela Rabelo disse:

    Concordo com o Diego. Acho que é tão grave delatar que só se pode chamar alguém de delator quando se tiver certeza absoluta de seu ato. O documento do Exército não declara que aquelas pessoas eram dedos-duros e sim que eram “amigos da revolução de 64”. Conheço, e vocês devem conhecer também, pessoas que ainda hoje são reacionárias, que acreditavam e acreditam que os militares estavam livrando o Brasil do terror comunista. Isto não dá a nós, que temos posição diferente, o direito de chamá-las de delatores, por mais que a posição política delas se traduza, na prática, por um governo desumano. Acho perigosa a posição do site. Como disse o Diego, depõe contra ele.

  6. Paulo Oliveira disse:

    Caros,
    Esse título denigre a imagem dos artistas e não condiz com o teor do documento. Por gentileza, revejam a edição dessa matéria, porque é prejudicial à imagem dos envolvidos. É preciso responsabilidade com o que se publica!
    Paulo Oliveira

  7. A alteração do título da matéria ficou mais preciso, afinal eles eram colaboradores da ditadura e informavam aquilo que viam ou ouviam aos agentes da ditadura, a quem cabia julgar se era “quente” ou não. Bem, agora eu nem sei mais se precisava alterar o título da matéria. Por esse época todo mundo [ todo mundo mesmo] já sabia das torturas e mortes provocados pela deduragem de agentes e colaboradores.

  8. Paulo Oliveira disse:

    Eu continuo alertando-os que o documento não diz o que título sugere. O documento diz que tais artistas eram perseguidos pela imprensa marrom que acreditava serem eles (sabe-se lá por que motivos) colaboradores do governo militar. Amigos, que provas documentais há contra esse artistas. Por mais do que um documento do Exército aponte isso, cadê as provas? Vocês teria de questionar a veracidade dessa informação ‘sui generis’ e não publicá-la como se fosse verdade absoluta, porque o Exército resolveu divulgar essa bobagem. O teor do título e da reportagem continua equivocado. E isso, amigos, é um problema de interpretação de texto. Basta lermos o documento. Não é isso que ele traduz.

    • É preciso ler o documento com atenção.
      Ele é claro. Trata-se de um informe interno e confidencial do Centro de Informações do Exército
      reclamando que alguns veículos considerados pelos milicos “imprensa marrom” (tipo O Pasquim) estariam
      fazendo campanhas contra alguns artistas amigos e colaboradores da ditadura.
      O informe difundido para outros órgãos da repressão política sugere que esses artistas “amigos da ditadura”
      sejam blindados, protegidos.

  9. Augusto Castro disse:

    Os únicos dedos-duros e colaboradores que estou vendo aqui são os que estão querendo levar estes artistas pro pau-de-arara da história. Não passa pela sua cabeça, sr. Aluizio, a ideia de que o Exército poderia tratar como “colaboração efetiva” o fato de se isentar em falar de política publicamente?

    Porque há algumas contradições nestes nomes citados. Wilson Simonal foi EXECRADO pela imprensa, e precisou ele mesmo provar décadas depois. Como o Roberto Carlos poderia perseguir “O Pasquim” se deu entrevista pro jornal? E como poderia dedurar artistas ao mesmo tempo que fazia “Debaixo dos caracóis dos seus cabelos” pro Caetano Veloso?

    Talvez os militares tivessem a mesma boçalidade que muitos esquerdistas xiitas têm: a da patrulha ideológica. Do quem não está conosco, está contra nós.

    • Calma lá Augusto. Leia o atenção o documento do Centro de Informações do Exército. Está escrito alí que certa imprensa – que os militares chamavam de marrom – iria fazer campanha contra alguns artistas por eles ser amigos e colaboradores do regime militar (leia-se ditadura).
      Não sou eu que estou dizendo, está no documento dos milicos. São eles que estão dizendo em um DOCUMENTO CONFIDENCIAL e portanto interno, que Roberto Carlos, Wilson Simonal, etc, estariam sendo atacados pelo Pasquim e outros órgãos de imprensa.

      • Jatercio disse:

        Por que é tão difícil para algumas pessoas aceitarem que artistas são gente comum, com qualidades e defeitos? Genet era ladrão, Céline era um grande romancista e um fascista. Há vários exemplos. Havia colaboradores da ditadura em todos os setores profissionais, até nos sindicatos de jornalistas. Eu não vou deixar de gostar as músicas da Clara Nunes porque agora eu sei que ela teria colaborado com a ditadura. O Geraldo Vandré era contra a ditadura e hoje é protegido da Aeronáutica, faz música pra FAB. Mesmo assim as músicas dele eram ótimas e continuam sendo.

  10. Meire Bottura disse:

    Sr. Aluízio Palmar
    Permita-me dar o meu pitaco. Assim como os demais comentaristas, penso que postar na rede uma notícia, um documento, ou mesmo um simples comentário exige responsabilidade. O senhor há de concordar que é um subterfúgio afirmar: – “não sou eu que estou dizendo, está escrito no documento dos milicos”. Senão, vejamos: é incoerente validar documentos oficiais apenas porque corroboram a nossa própria opinião e, no entanto, questioná-los quando atingem os nossos pares.
    Enfim, não deve ser fácil manter um site que trata de um tema tão delicado. Se não houver isenção ideológica, este espaço tão bacana corre o risco de comprometer a própria credibilidade – todo o trabalho árduo de pesquisa e informação cai por terra.
    Abs.

    • Meire, não vá pensar que eu me sinto feliz em ver o nome de bons artistas, pessoas que me acalentaram com seus cantos, como a Clara Nunes, Simonal e Roberto Carlos citados em documento do Centro de Informações do Exército como amigos e colaboradores da ditadura. O documento não acusa, o informe pede que os citados artistas sejam
      protegidos pela “comunidade de informações”por serem amigos e colaboradores. Que lástima. Quanto mal fez a ditadura a esse país! Quanto mal fez os militares golpistas ao envolverem a sociedade civil em suas violações às leis e aos direitos dos seres humanos.
      Imagino a sua tristeza ao ver o nome de seu ídolo – Simonal, nesse mar de lama.
      Ninguém está validando esse lixo, que é o documento do CIE. Apenas estamos revelando para que não se esqueça, para que nunca mais aconteça o terrorismo de Estado praticado pelos militares e seus aliados civis.

  11. jef disse:

    por cooperação pode ser entendido não publicar letras proibidas pelo sistema…o documento não especifica quem evidentemente colaborou com a revolução de 1964…falo isso sem querer defender ninguem…a coisa não é tão fácil de se chegar a uma conclusão definitiva…

  12. Todas essas coisas precisam ser exaustivamente investigadas, assim como, todos que violaram as leis com torturas para que com o passar do tempo não se crie a possibilidade de repetir todos esses desmandos baseados na impunidade. Observo, que atos cometidos durante a segunda guerra mundial, considerados hediondos ainda hoje, foram julgados e condenados aqueles que recebiam ordens, assim como aqueles que as davam, independente de onde estavam escondidos e que idade tinham. Só se faz justiça histórica quando assumimos nossos erros e os corrigimos…

  13. Fernando Cabral disse:

    O documento é claro com relação as informações, muitos estão relutando em acreditar nos fatos e nos nomes presentes, mas como o autor da matéria falou esse era um documento interno e confidencial, ou seja, não era pra ser de conhecimento público, mas por algum motivo veio a tona… Infelizmente…

  14. sandra landovsky disse:

    Ficar usando documentos oficiais do CIE, selecionado e deixado por eles (os documentos graudos eles falam que foram incinerados), é dar muita credibilidade a estes algozes, quando sabemos que inumeros depoimentos de prisioneiros foram arrancados por torturas, outros escrito por eles e obrigaram prisioneiros a assinar se não continuaria os atos de barbárie. Isso, é no minimo estranho! Todo e qualquer documento do CIE tem que ser confrontado com seriedade para não expor novamente a tortura aquerles que lutaram contra o Regime. Ex: imagina se divulgamos a informação de que Roberto Carlos colaborou com a Ditadura, o que aconteceria? O povo reagiria imediatamente contra aqueles que fizeram a denuncia. Se liguem!!!!

  15. evando modesto disse:

    Ficou provado que ele é o cara quase lincharam o sr Aluizio,só porq mecheu com o cara.

  16. Marlon disse:

    Porque será que só falaram no Pasquim? O documento tb cita outros veículos, inclusive da tão odiada Editora Abril…

  17. Senhor X disse:

    Na minha opinião, fica claro nos documentos a preocupação em proteger os “amigos” de serem mal vistos pelo povo, afinal eles “os milicos” precisavam manter o sistema “Panis et Circense” funcionando bem. Com a colaboração do Jornalista que se auto-intitulous Dr. que construiu seu império com o apoio dos militares. Este por sua vez cumpriu bem sua “missão” de manter o “Rei do plágio” cantando bobagens para o povo por décadas. Até hoje Roberto tem caches millionários da mais poderosa formadora de opinião brasileira, porque será? Ora não é preciso ser gênio para saber que ele lava dinheiro deles tbm. Parabéns Aluízio, pela matéria e documentos. O povo deveria se informar melhor para saber a quem idolátra! Felizmente com a internet muita coisa está vindo a tona e muito mais coisa vai vir. O Brasil tbm precisa do seu próprio Julian Assange!

  18. Eduardo Homem da Costa disse:

    Parabéns Palmar muitos artistas colaboraram sim com a DITADURA e isto sói vem oficialmente a tona quando há briga na quadrilha que torturou e matou pessoas inocentes e os dedo-duros já eram conhecidos e divulgados pela a imprensa ALTERNATIVA da época.O que querem “os certinhos” uma confissão assinada dos mesmos provas??? e eles ajudavam por baixo dos panos por que sabiam que era errado,só queriam fama e grana,não se envolveram como muitos que honraram a pátria.
    Eduardo Homem
    MRLB
    Rio

  19. Enfim a verdade veio à tona. Praticamente todos os artistas daquela época que, diga-se de passagem, tinham pouco ou nenhum talento, nasceram e floresceram com o apoio dos militares. Entre eles Roberto Carlos, Eduardo Araújo, Silvinha, Vanderlei Cardoso, Erasmo Carlos, Vanusa e outros tantos. Nos dias de hoje essa gente teria uma plateia numericamente inexpressiva. Até Michel Teló com suas baboseiras agradaria mais.

  20. Mauro Wagner disse:

    Agora pensem na possibilidade de tais nomes que foram incitados a serem os colaboradores ou até amigos do regime, no afã de os tornarem contra os outros artistas e assim os fazerem virarem contra os mesmos á força, ou até com o objetivo de os isolarem e fazerem as forças destes enfraquecidas. É muito difícil se tomar decisões apenas por documentos que podem até ser forjados ou sem veracidade. As coisas não podem tomar direções equivocadas se não for tomado decições á luz de pessoas experientes na área. O só comentar sem as verdadeiras provas, causam confusões e principalmente dor para os envolvidos. Lembramos que pau e pedras quembram ossos, mas as palavras, ah, essas matam a alma. É preciso que se tenha cautela e confiança nas provas ao se julgar .

  21. nelson Botton disse:

    Há uma confusão proposital nestes documentos. Gente que era suspeito e nada tiveram com as ações de espionagem. Gente que fou usada sem saber. Os verdaeiros e compometedores documentos que foram levados a cabo e os que escaparam do massacre ideologico do “ame ou deixa” foram queimados. O caso especifico do Roberto, foi um usado, sem nem uma preocupação idelogocica, fizeram dele, um icone, cercados por seguranças como o abominavel e sadico Sergio Paranhos Fleury. Pocas ditaduras passaram incolumes pela justiça em seu pais. Esta devera ser punida exeplarmente na Comissão da verdade. É uma questão de honra exemplar para que todos saibam que os exemplos de um estado crimimoso tem que ter sua puniçao ao terror que provocaram em uma geração de brasileiros com o sentido humanista e que foram massacrados não pelo convencimento do dialogo e sim pela insanidade da escuridão que as armas provocaram.

  22. Raimundo Nonato de Oliveira Bispo disse:

    Boa noite, gente. Achei muito interessante o título da matéria, e não sei o porquê de tanta revolta, trata-se de uma matéria de imprensa eletrônica, algo que não deveria revoltar qualquer pessoa que não acredite no maldito mito da “imparcialidade” (coisa que foi fincada no nosso Brasil por sucessivos períodos de ditaduras, que vêm desde o golpe militar de 15 de Novembro de 1889, pois aquele que se coloca como “neutro” está acima das opiniões), pois isso traz uma carga de opinião, de julgamento e de ideologia de quem escreveu. E segundo uma coisa chamada liberdade-de-expressão, todo o mundo tem o direito, sim, de puxar a sardinha pro seu lado, como fez o nosso colega redator da matéria (e isso não é nada que tenha que ser chamado de “execrável” e “tendencioso”. Muito pelo contrário, isso é ter uma opinião e assumir, ao invés de ficar patinando sobre esse embuste da “imparcialidade”, que foi forjado pelo mesmo tipo de autoritarismo intolerante que aqui se critica).

    O que tem que ficar claro, é que se trata de um Documento, e documento nenhum “fala por si só”, documento não tem boca pra falar sozinho. Alguém tem que ler e interpretar aquilo de alguma forma, usando, é óbvio, de todos os seus filtros valorativos, morais e ideológico.
    Documento histórico (sim, isso é um documento histórico) não prova nada pra ninguém, ele vai ser lido por alguém que deverá lê-lo, julgá-lo e questioná-lo, pois essa pessoa sabe que aquilo foi escrito por alguém moldado por filtros valorativos tão marcantes quanto os seus, sejam por concordância com a sua visão extemporânea, sejam por antagonismo.

    Estamos a mais de quarenta anos desses eventos, e não temos qualquer
    parâmetro para avaliar um suposto resultado prático daquilo que se acusa. Se o documento fala de “amigos” do regime, deve-se questionar o que são “amigos”. O documento não explicita em momento algum que esse ou aquele artista nele citado tenha “essa ou aquela função”. Olhar esse documento e dizer que Fulano era “delator”, ou que a função de Cicrano era “alienar as massas para que a população não desejasse uma insurreição” é puramente palpite e suposição pouco responsável.
    Isso, na minha opinião, é no mínimo engraçado, pois parte de um conceito de predestinação ideológica, como se isso que muita gente teima em chamar tão vulgarmente de “massa” fosse naturalmente optar por um caminho ideológico que sempre foi debate restrito das elites acadêmicas. Puro colonialismo ideológico de quem tem tanta consideração pelas classes populares, que fala como se a capacidade de pensar e governar sua própria vida fosse uma exclusividade de meia dúzia de sujeitos de uma “vanguarda ilustrada”. O autodeclarado “progressista” define assim, de forma arbitrária e completamente anacrônica, papéis e obrigações que as pessoas deveriam ter naquele momento histórico. Sendo assim, a população não podia estar simplesmente almejando alcançar melhores patamares sociais a partir de seu próprio trabalho, bastante entusiasmada com a prosperidade econômica do Brasil naquela época (prosperidade essa que não dá mérito nenhum para o autoritário regime militar, pois se deveu muito mais à própria dinâmica interna de uma economia que estava colhendo os frutos de uma diversificação e modernização que começou na década de 1950, e também bebia de um otimismo de uma conjuntura econômica mundial que se aquecia com o avanço tecnológico, e que, nos anos 60, comemorava finalmente uma recuperação definitiva do desastre também econômico que foi a Segunda Guerra Mundial). Não! a população estava é alienada, pois se interessava em melhorar de vida, ao invés de pegar carona no “irresistível” projeto de revolução que era o tópico quente de alguns acadêmicos filhos da elite. Um cantor nunca fazia uma canção porque queria falar de amor, de uma festa, ou porque achava legal explorar um estilo musical que ele tinha visto em algum cantor de fora (e às vezes, copiar mesmo, na cara dura), não! Qualquer cantor que não cantava música de protesto, que não apresentava a sua revolta contra o sistema no palco de um festival frequentado por plateias estudantis, era um perverso colaborador do regime de lavagem cerebral naquele momento instaurado. Enquanto isso, as classes populares não passavam de “ovelhinhas”, que encantadas com o “Splish Splash” não percebiam as mazelas e injustiças do país, sendo que quem vivia isso tudo eram ELAS, e não a “elite pensante” que se reunía para protestar?! Isso é uma ironia acidental e tragicômica de alguns autores que talvez confie demais no próprio academicismo, a ponto de simplificar as complicadas relações sociais (que vão muito além do conceito petrificado de “luta de classes”) que compõem o contexto da maioria da população brasileira em uma “massa”, e tachar essa “massa” de “alienada”. É algo no mínimo pretensioso, sendo que se havia fome, quem passava era o povo, se havia miséria, quem vivia era o povo, se alguém resistia a isso era a maioria diversa, que muita gente ainda teima no mau gosto de chamar de “massa”. A principal resistência não estava na luta armada por ideologia teleológica e versinhos provocativos na voz de “formadores de opinião”: Resistência era você conseguir criar e formar um filho num país onde ele podia ser jogado pro “final da fila” pra favorecer alguém da oligarquia dominante, era você manter o foco e o controle da sua própria vida e não cair em histeria frente a um governo que te bombardeava com rumores e baboseiras sobre “terroristas” e “mil e um perigos” que ameaçavam o Brasil, resistência era você segurar as pontas entre 1973 e 1994 quando no meio de crise e inflação, ninguém tinha certeza nem do preço do feijão no dia seguinte, resistência era você não saber quando aquilo tudo ia acabar, mas você levar a vida da melhor forma possível, com alguma alegria. A diferença, e talvez um dos motivos de movimentos como a Jovem Guarda terem sido muito mais populares do que os “vanguardistas politizados”, era porque eles sabiam desde sempre que eles cantavam não pra uma “massa alienada”, como muito tropicalista daquele tempo gostava de encher a boca pra dizer, mas pra muita gente, um diferente do outro, gente que se relacionava, que trocava informação, que não ficava só naquilo que o telejornal mostrava, mas que via e vivia tudo aquilo que estava acontecendo todo dia, mas ainda assim era gente que gostava de ser alegre, de se encantar, de sonhar, e tinha total direito de fazer isso, porque muitos já sofriam demais no dia-a-dia. A gente daquele tempo não precisava ficar ouvindo, falar de “resistência” o tempo todo porque JÁ RESISTIA.
    Não se podia naquela época, e não se pode hoje exigir uma “consciência” das pessoas como se não fossem elas que vivessem os próprios problemas, taxar um de “engajado”, o outro de “alienado”, e mais um outro de “alienador” é jogar o mesmo jogo que jogava esse regime autoritário que nos baixou o sarrafo por 21 anos.
    Acho que o documento que está aqui não oferece nada de concreto, e nada que incrimine ninguém, pra que muita gente queira brincar de inquisição. Além do que, naquele tempo, nem a censura era tão infalível assim pra conseguir definir claramente quem eram os “amigos” ou não do governo. Como o colega de cima já colocou como exemplo, “Debaixo dos Caracóis dos Seus Cabelos” foi uma das músicas mais emblemáticas pró-anistia (e mesmo naquela época muita gente sabia disso), e o governo engoliu aquilo como uma “cançãozinha de amor”. Não está nem em documento, em lugar nehum, porém, essa história de “Fulano é delator”. M
    As acusações de delaçã

    • Raimundo Nonato de Oliveira Bispo disse:

      As acusações de delação são tudo conta e risco de quem faz, porque o fundamento pode estar em qualquer lugar menos aqui pelo jeito. De qualquer forma que se entendam se a matéria se tornar muito relevante e atrair algum direito de resposta.

      Feliz ano novo
      Axé, Raimundo

  23. Wilson Xavier da Silva disse:

    Bravo, Raimundo!
    eu também vivi o tempo da ditadura tendo que trabalhar 14 horas por dia em fabrica de dobradiça durante 14 anos. eu era resistencia. eu não precisava de ideologia, sempre trabalhei e nunca peguei em uma arma mas eu tive anos muito felizes até mesmo na repressao horrivel dos anos de chumbo. era um trabalhador nunca peguei em arma e nunca fui torturado, mas fiz parte de uma resistencia que nao precisava ficar falando o tempo todo que era resistencia.

    um abraço e ótimo 2013

  24. Ora bolas, o sr. Roberto Carlos sempre foi, na prática, ligado à ditadura civil-militar de 64, implantada com a ajuda e sustento da potência imperialista ianque. Veja-se sua estreita sustentação na sócia da Time-Life (ianque) a velha globo, formadora de alienados e portavoz imperial. Filhote da ditadura, sim, tanto que se vê, claramente, sendo condecorado, sorridentemente, pela gurilada fascista e assassina da época (acima), vê-se, o próprio, agradecendo o megaterrorista fascista e assassino do povo chileno Pinochet… Até há poucos dias, foi prestigiar o representante nazisionista de Israel, em pleno período de massacre dos palestinos… E, ademais, reproduzindo as canções, em sua maioria, dos que não conseguiam espaço na mídia para divulgá-las, tanto que teve e tem vários processos por plágio… Mas, como de costume, o sistema protege tais agentes colaboradores do mesmo (ou pensam que a cultura da ditadura já desapareceu?).
    Tipos como o referido, alcagüetes SIM, merecem ser devidamente execrados por aqueles que têm um mínimo de humanidade e decência!!!

  25. Denys disse:

    Meu pai foi músico de vários deles na época, e confirmou que vários deles lambiam as botas da ditadura sim, e entrgavam td o que viam, pela possibilidade de fazerem sucesso na telinha e no rádio, infelizmente, tirando o sensacionalismo, é pura verdade, e fora os que ñ estão na lista, e são vários heim.

  26. cicero disse:

    em 1964 eu tinha 10 anos de idade nos vivia no campo trabalhando na roça meu pai e minha mãe era a nalfabe mesmo acim meus pai foi atacado por esta ditadura, lembro que ele teve que dormir muitas vezes dentro de uma caverna ali na região de rio verde ms, estes maldito militar nazista prenderão o patrão do meu pai achando que ele era comunista. o gipe dos militares passava de hora em hora no meio das roça casando os trabalhadores para prender. no meu ponto de vista estes militares que torturava os inosente teria que ser preso podia ter a idade que tivesse.. este é o meu desabafo

  27. em meados da década de 90 Wilson Simonal foi a Brasília onde depois de uma minunciosa investigação recebeu dois documentos:um emitido pela Secretaria de Assuntos Estratégicos e outro emitido pela Secretaria Nacional dos Direitos Humanos e em ambos consta que ele nunca colaborou com o regime militar.Porque que os outros não fizeram o mesmo. O único cara que não tinha nada haver com isso pagou o pato, morreu de tanto desgosto, devido ao execramento público sofrido injustamente. No Brasil algumas pessoas tem essa mania de demonizar o divino, e, divinizar o demoníaco.

  28. Joel Marques Machado disse:

    É muito lenga lenga, o documento é claro. Os dedo duros citados sao gansos e pronto, chega de tentar encobrir o mau feito desses canalhas. Muitos foram torturados e mortos pela ditadura por causa das entregadas de vermes como estes que sao citados no documento. O pior cego nao é o que nao quer ver é aquele safado que le e tenta distorcer o que esta lendo com estas desculpas esfarrapadas que estai nestes comentarios dos defensores destes infames colaboradores.

  29. Ijs disse:

    Alem de ter q trabalhar p sobreviver e p sustentar minha filha durante os 21 de ditadura e portanto resistir trabalhando como afirma um comentario acima ,tive uns percalcozinhos a mais.Coisa pouca.
    A saber:.
    -Fomos minha familia e eu obrigados a deixar nossa casa por cerca de 1 ano apos o golpe de 64
    – Perdi meu emprego publico em 64.
    -Meu marido foi preso 2 vezes pelo Dops
    – Meu marido foi cassado pelo AI5 e perdeu seu emprego publico de professor na Universidade Federal do Rj
    -Fui presa pelo Cenimar em 1969 e fui torturada
    -Experimentamos a clandestinidade por anos ,abandonando pelo menos 3 casas montadas ,sem possibilidade de retorno
    -Meu marido foi assassinado pelo Doi Codi em 1973
    -Nao recebi durante 40 anos nenhum centavo , nem do Inss p ajudar a criar minha filha.

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