Em 4 de junho de 1977 a realização, em Belo Horizonte, do III Encontro Nacional dos Estudantes foi impedido de acontecer pela ditadura militar.

Em  4 de junho de 1977 a realização, em Belo Horizonte, do III Encontro Nacional dos Estudantes (III ENE), foi impedido de acontecer pelas forças repressoras da ditadura militar.

O objetivo do encontro era reorganizar a União Nacional dos Estudantes. Jovens de todo o país estavam mobilizados. O Exército impediu a saída de caravanas dos estados e barrou o acesso de estudantes em trânsito à capital do encontro.

O que se viu nas ruas da cidade foi a ostensividade do aparato policial, com direito a tropas de choque de elite, polícia montada, cães, vai e vem de camburões com sirenes disparadas e cenas públicas de intimidação que só fizeram aumentar a repulsa da população pela brutalidade do regime.

Desafiadores, 400 universitários mineiros guardaram vigília na noite do dia 3 na Faculdade de Medicina da UFMG, onde aconteceria o encontro. O local foi cercado as cinco da manhã. A partir daí, em vários pontos da cidade, prisões, invasões de igrejas e universidades desembocaram, ao final do dia, num saldo de mais de 4 mil pessoas presas.

A repressão culminou com a invasão da Faculdade de Medicina e a condução dos confinados para o Parque da Gameleira, onde passaram a noite, assistidos, do lado de fora, pela indignação de familiares e amigos.

Legendas das fotografias:

Foto N 01 – Estudantes deixam o Campus da Saúde, após a tentativa de realização do III ENE, acompanhados do Reitor da UFMG, Eduardo Osório Cisalpino, do Secretário de Educação, José Fernandes Filho, e do Diretor do Instituto de Ciências Biológicas da UFMG, Marcello de Vasconcellos Coelho. Local: Belo Horizonte. Data: junho de 1977. Acervo Projeto UFMG: Memória & História.

Foto N 02 – Ato de repressão policial nas imediações da Faculdade de Medicina/UFMG durante o cerco ao III ENE. Local: Belo Horizonte. Data: junho de 1977. Coleção Eduardo Osório Cisalpino/Acervo Projeto República/UFMG.

Foto N 03 – Ato de repressão policial nas imediações da Faculdade de Medicina/UFMG durante o cerco ao III ENE. Local: Belo Horizonte. Data: junho de 1977. Coleção Eduardo Osório Cisalpino/Acervo Projeto República/UFMG.

Foto N 04 – Manifestação estudantil nas imediações da Faculdade de Medicina/UFMG, durante tentativa de realização do III ENE. Local: Belo Horizonte. Data: junho/1977. Acervo Projeto UFMG: Memória & História.

Foto N 05 – Faixa empunhada por estudantes no pátio da Faculdade de Medicina/UFMG durante a tentativa de realização do III ENE. Local: Belo Horizonte. Data: junho de 1977. Coleção Eduardo Osório Cisalpino/Acervo Projeto República/UFMG.

Foto N 06 – Estudantes sendo liberados da Faculdade de Medicina/UFMG, ainda cercada por policiais, durante a tentativa de realização do III ENE. Local: Belo Horizonte. Data: junho de 1977. Coleção Eduardo Osório Cisalpino/Acervo Projeto República/UFMG.

Foto N 07 – DA da Faculdade de Medicina/UFMG durante a tentativa de realização do III ENE. Data: junho de 1977. Acervo Projeto UFMG: Memória & História.

Foto N 08 – Estudantes reunidos no DA da Faculdade de Medicina/UFMG, durante tentativa de realização do III ENE. Local: Belo Horizonte. Data: junho de 1977. Acervo Projeto UFMG: Memória & História.

Foto N 09 -Estudantes sendo detidos em frente à Igreja da Boa Viagem, durante tentativa de realização do III ENE. Local: Belo Horizonte. Data: junho de 1977. Acervo Projeto UFMG: Memória & História.

Foto N 10 – Estudantes sendo detidos nas imediações da Faculdade de Medicina/UFMG, durante tentativa de realização do III ENE. Local: Belo Horizonte. Data: junho de 1977. Acervo Projeto UFMG: Mem

 

 

 

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12 comentários

  1. Alice Barreto disse:

    Bom dia,

    estou fazendo um livro sobre o autor Benito Barreto e, pelas minhas pesquisas ele discursou no III ENE em 1977.

    Eu gostaria de saber se tem como eu usar algumas dessas fotos para o livro (dando os devidos créditos, obviamente). Você tem elas em alta resolução?

    Atenciosamente,

    Alice

    • Vou tentar conseguir numa resolução melhor. Em todo caso podes usar a vontade.

    • José Tarcísio de Castro Filho disse:

      Cara Alice Barreto.
      Não precisa muita pesquisa. A Sandi Barreto, irmã dele e provável parente de você estava lá e tem isso na memória. Ele discursou sim, se não me engano em nome dos escritores de Minas, alguma entidade deste tipo. A melhor cobertura deste evento foi feita pelo jornal “Estado de Minas”, aproveitando a ausência na cidade de vários diretores, segundo me disse um jornalista da época. Tenta resgatar um jornal do DCE chamado “De Fato”, que vai mostrar o espírito daqueles dias. Sucessos no seu trabalho. Tarcísio

      • Paulo Barcala disse:

        O jornal do DCE não era o De Fato, veículo da imprensa alternativa em Minasm o órgão do DCE era o “Gol a Gol – se pegá com o pé é Dibra”.

  2. Carlos Orlando Neuenschwander Penha disse:

    Aluizio, eu também estava lá e gostaria de fazer uma pergunta e uma correção. Onde estão as 3 fotos faltantes? A correção: nós não fomos liberados do DA da Faculdade de Medicina. Seguimos, no início lado a lado, abraçados, e depois por força dos cassetetes, em fila indiana, para os numeroso ônibus que nos levaram para o Parque da Gameleira, onde fomos fichados, agredidos, humilhados e no final atirados em pequenos grupos na avenida Amazonas.

  3. Hugo Teixeira disse:

    Eu era estudante secundarista e íamos nos reunir no DCE da PUC, na Getúlio Vargas. Com o cerco o encontro foi cancelado. Quem pode foi para a frente da Fac. de Medicina. Juntou muita gente e PM dispersou-nos com bombas. Corremos em direção à igreja da Boa Viagem e, quem conseguiu se abrigou numa pequena capela lateral. O policial civil careca era conhecido como Kojac e perseguiu, bateu em alguns e ainda, se não foi ele, foi outro policial, jogou uma bomba de efeito moral dentro da capela

    • Marly disse:

      Eu estava lá. Corri, pulei o muro do instituto de educação, sai na outra e corri para a igreja da boa viagem, alguém falou entrar, neste momento um rapaz disse não fazer isto, que a policia ia cercar a igreja. Sai dali e fui para o Jardim de um prediozinho na rua Aimores, ate tudo ficar mais calmo. Dias depois no jornal de casa eu apareço de costas, correndo e um pm soldado,com um cachorro bem atrás de mim. Acho que escapei por pouco.RS. Uma pena, perdi a foto.

  4. Lucio Fernando Borges disse:

    Também estive lá no D.A. nesta data.
    A repressão foi brava e todo mundo foi preso,fichado, ficamos depositados no Parque de Exposição da Gameleira que serviu de prisão.

  5. Dinorah Maria do Carmo disse:

    O DIÁRIO DE MINAS também fez ótima cobertura, durante vários dias.EU TRABALHAVA LÁ, COMO EDITORA DE ECONOMIA E LEMBRO-ME de QUE A VILMA FAZITO FOI QUEM FEZ A COBERTURA. ELA TRABALHOU POR UNS TEMPOS NO DM E DEPOIS FOI PARA A REDE GLOBO.PENA QUE NOS ARQUIVOS DO JORNAL “HOJE EM DIA” não há nada de 1977 do DIÁRIO DE MINAS.Recentemente precisei de uma foto dessa época (1976 e 77) e não achei nada lá.Mas a Vilma Fazito pode dar à Cláudia Barreto, boas informações.

  6. Marcio Marçal disse:

    Eu era estudante secundarista no 3° ano do curso de Estradas da ETFMG (atual CEFET MG). Estive na Fac. De Medicina, onde acabei preso juntamente com meu irmão, que era universitário em Varginha MG.
    Fomos preso e levados para o DOPS na Av Af. Pena. Meu irmão, por ter e portar carteira de trabalho foi liberado apesar de pertencer ao D. A. de sua faculdade em Varginha.
    Eu fui detido, sob a alegação de pertencer ao MR8 e ao movimento secundarista estudantil.
    No DOPS, existiam fichas e arquivos, sobre mim, com fotos inclusive, as quais até hoje não sei a origem.
    Fomos colocados, com mais centenas de estudantes no que era a garagem do DOPS. Houve uma triagem, na qual meu irmão foi liberado e eu fui transferido para uma dá-la no 2° andar do prédio, de onde dei um jeito de fugir, saindo pela porta da frente (rsrsrs) aproveitando um descuido do carcereiro que guardava a porta da sala na qual eu e outras pessoas estávamos separador, aguardando interrogatório. Eu morava na Av Amazonas e a noite, por volta de umas 19:00 presenciei a passagem de vários ônibus que transportavam os cerca de 2.000 estudantes que permaneciam presos. Para o parque de exposição da gameleira, onde permaneceram presos por mais algum tempo.

  7. Ricardo Marques Furtado disse:

    Naquele época eu estudava na Face que foi também alvo do policial kojak. Ele é seus companheiros cercaram as saídas da Face e Bombardearam a escola por aproximadamente 3 horas. Só saímos de lá depois de meia noite quando o diretor da escola negociou com o Dops a nossa saída.

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