GRUPO DOS ONZE COMPANHEIROS, MOVIMENTO LIDERADO POR BRIZOLA PARA BARRAR O GOLPE E AVANÇAR COM AS REFORMAS (PARTE 2)

 

PROPOSTA DE ORGANIZAÇÃO DE LEONEL BRIZOLA DOS “GRUPOS DE 11 COMPANHEIROS” OU “COMANDOS NACIONALISTAS”

“Grupos de 11 companheiros”: foi dentro deste pensamento que se tomou a iniciativa, através da rádio Mayrink Veiga e das demais emissoras da rede, de esclarecimento da organização dos “Grupos de 11 Companheiros”. Que é reunir, em uma organização simples, ao alcance de todos, mesmo nas áreas ou localidades mais isoladas ou distantes. Através da organização de pequenas unidades teremos como articular e reunir imensos contingentes do povo brasileiro às organizações existentes, ou seja a FMP (Frente de Mobilização Popular), CGT (Comando Geral dos Trabalhadores), sindicatos, UNE (União Nacional do Estudantes) e suas organizações, FPN (Frente Parlamentar Nacionalista), Organização dos Sem-terras e Ligas Camponesas, entre os partidos políticos, o PTB e o PSB e outras organizações populares, locais ou regionais, dentro do objetivo de consolidar e cimentar a unidade das forças populares e progressistas de nacionalistas, civis e militares, de todos os getulistas e trabalhistas que se consideram convocados pela carta de Vargas.

A idéia da organização dos “Grupos de 11 Companheiros” inspira-se justamente em uma realidade existente em nosso país e, nestas condições, me empenho em colocar o problema da organização popular ao alcance e compreensão das possibilidades de nossa gente. Essa realidade é o conhecimento e a experiência adquiridos pelo nosso povo em matéria de organização de equipes humanas para a prática do esporte popular, o futebol. Hoje difundido e praticado, sem exceção, em todas as partes do território nacional. Todos sabem que um time de futebol é composto de 11 integrantes, cada um com suas funções específicas e, dentre eles, um é escolhido para capitão ou comandante da equipe. A força e a expressão da equipe vale muito mais por sua coesão, pelo trabalho de conjunto perfeitamente distribuído de seus integrantes e, muito menos, quase nada, pela ação isolada de cada um. E, assim, até agora, quase todos nós falamos, pensamos ou agimos individualmente, no máximo atuamos em reuniões e movimento individuais, sem estrutura e distribuição de tarefas, sem unidade, sem firmeza de objetivos e sem responsabilidades permanentes, e assim mesmo em círculos distribuídos em todo o território nacional, sem a indispensável ligação entre si. Agora, passamos a viver uma fase que se compara aos momentos em que uma equipe esportiva tem de entrar em campo para enfrentar o adversário, organizada.

Daqui por diante, indispensavelmente, precisamos agir, pensar e atuar organizados em equipes, cada um com suas tarefas e atribuições. Um grupo de 11 companheiros pode parecer pequeno, dado o número de milhões e milhões de patriotas existentes em nosso país. Nos dispomos a cumprir as tarefas que a Pátria está exigindo de nós. Pode parecer pequeno, no entanto pequeno é um simples tijolo e é exatamente com pequenos tijolos reunidos, somados, interligados, cada um com sua função e adequadamente dispostos, que se fazem as construções e se completam os grandes edifícios de concreto armado. Assim, qualquer brasileiro que tenha a sua consciência de patriota, queimando de inconformidade com os sofrimento e injustiças que aí estão esmagando o nosso povo, aonde quer que se encontre, pode e deve tomar iniciativas junto aos seus companheiros e amigos de sua vizinhança, da fábrica, de seu escritório, da sua classe, do rincão aonde vive, pelas lavouras e pelos campos para a organização de um grupo de 11, reunir e fundar a organização.

Os objetivos desses grupos são organizar-se em defesa das conquistas democráticas de nosso povo e fazer resistência a qualquer tentativa de golpe, venha de onde vier. Pela instituição de uma democracia autêntica e nacionalista, pela imediata concretização das reformas, em especial das reformas agrária e urbana, e sagrada determinação de luta pela libertação de nossa Pátria da espoliação internacional.

Os companheiros devem mandar as suas sugestões sobre a denominação definitiva destas unidades de base, desta organização popular brasileira. O maior número de sugestões até agora recebidas indica a denominação “Comandos Nacionalistas”. Aguardamos as sugestões dos companheiros.
Os coordenadores nacionais da organização tratam de seu registro como entidade civil. Novas instruções serão remetidas oportunamente aos companheiros.

Assinado: Deputado Leonel Brizola
Rio de Janeiro, 29 de novembro de 1963.
Endereço: Deputado Leonel Brizola, aos cuidados da Rádio Mayrink Veiga. Rua Mayrink Veiga no 15 – Rio de Janeiro, Guanabara.

Fonte: O Panfleto, 17 fev. 1964.

http://www.scribd.com/doc/126107733/onze3

http://www.scribd.com/doc/126108670/onze-pdf4

http://www.scribd.com/doc/126109711/Onze-pdf4-Pdf6

http://www.scribd.com/doc/126110205/onze-pdf7

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